Compra pela internet, não tenha medo é só coisa da sua cabeça
Há uma notícia que é repetida com freqüência na mídia. Você já assitiu essa matéria, um sujeito diz ter comprado pela internet e o produto nunca chegou, a empresa era fantasma. Então reclama da falta de garantias da venda on-line. Depois aparece um “especialista” dizendo o óbvio: compre apenas de sites confiáveis, não forneça sua senha a papagaios, yada, yada, yada.A princípio não há nada de mais nesse tipo de reportagem, é só mais uma matéria fria. Tal qual a “está nevando em São Joaquim”, quando começa o inverno (agora não mais, viva o aquecimento global!), ou o “políticos aumentam seus salários em 300%”, ou ainda o “esse vai ser o ano do linux”. O típico tapa-buraco para um dia em que nada realmente interessante aconteceu.
Acontece que esse buzz cria uma resistência ao modelo de vendas on-line. Especialmente nos consumidores menos informados, que são a maioria. Não que impeça o segmento de crescer vertiginosamente, mas certamente diminui a velocidade do progresso.
E isso não é ruim apenas para as empresas, os consumidores é que mais saem perdendo. Eles deixam de aproveitar o conforto de não ter que sair de casa e enfrentar o trânsito, e ainda podem comparar os preços em serviços como o Bondfaro e Buscapé, para evitar a raiva de encontrar o mesmo produto mais barato na vitrine da concorrência um dia depois da compra. Além disso, é comum a mercadoria ter preço melhor na internet do que nas lojas físicas.
Lógico que os riscos existem, mas comprar on-line não é mais inseguro que sair na rua. Basta usar o bom senso, se você não faria negócio com qualquer vendedor, porque faria em quaquer site? Na maior parte das vezes uma simples pesquisa pela reputação da empresa já é suficiente para salvar o consumidor de um golpe.
Compro pela internet há muito tempo. Inclusive pelo Mercado Livre, que muitos dizem ser inseguro. Confesso que fiquei com medo na primeira vez, mas foi infundado, apenas um reflexo dessa campanha do medo. Nunca fui lesado, apenas tomando o cuidado de checar as qualificações dadas pelos outros usuários ao vendedor.
É verdade que existem alguns produtos para os quais o modelo de vendas pela intenet não faz sentido. Mas a tendência é substituir lojas físicas pela web, e empresas do porte da Blockbuster serem vendidas a outras como a Americanas.com é sintomático.
Portanto, sinto muito, jornalistas. Podem devolver o dinheiro dos lobbistas, porque o terrorismo não vai funcionar. Depois que o sujeito faz a primeira compra pela internet, ele vê que era tudo mentira e não tornará a sair de casa gastar sola de sapato para fazer compras.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 at 10:00 Deixe um comentário
Gerenciar eventos de botões aninhados no Flash
Estava programando no Flash, quando me vi com o seguinte problema: um objeto pai não passava o evento de botão para o filho. Isto é, um movie clip que tem associado um onRollOver, onRollOut ou onRelease captura todas as ações do mouse, dessa forma os botões que estão dentro dele não funcionam.
Minha primeira abordagem foi criar um movie clip por cima que mapeasse os botões, dessa forma ao clicar o mouse ele pegaria o evento. Mas esse movie clip tampa o objeto principal e estraga o evento onRollOver a ele associado.
Então, recorri à Deus. E Ele veio a mim. Encontrei esse site que explica o problema e sugere um par de soluções. Vou me ater a segunda porque é mais simples de implementar.
Para começar, porque o Flash age assim?
Quando é disparado um evento de botão, o Flash segue de objeto em objeto, tentando entregá-lo ao primeiro que puder lidar com ele. Ele segue a ordem de fora para dentro dos movie clips aninhados. Portanto o evento jamais chegará ao filho se o pai estiver associado a ele.
Não há maneira de alterar esse comportamento padrão com ActionScript 2. Não sei se existe jeito com AS3, porque como quero publicar o arquivo para versões antigas do Flash Player, nem fui atrás.
Então, o que fazer?
A solução proposta é usar, no lugar, os eventos onMouseDown, onMouseUp e onMouseMove para recriar o comportamento de um botão. Diferente dos eventos de botão, eles são passado a todos os objetos da cena. Assim, é necessário apenas checar se o mouse está sobre o botão quando clicado para disparar a ação, isso pode ser feito com um simples hitTest:
mc_pai.onRollOver = function (){
//comportamento do pai
}
mc_pai.mc_filho.onMouseUp = function (){
if (this.hitTest(_root._xmouse, _root._ymouse)){
//comportamento do filho
}
}
Limpo e eficiente, está superada a limitação do Flash em gerenciar esses eventos.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 at 1:14 Deixe um comentário
Comentário para parecer cool
Quando você vir um relógio parado comente:
- Um relógio parado é melhor que um funcionando. É impossível acertar perfeitamente um relógio que funciona, assim ele nunca marca a hora certa. Já um relógio parado marca a hora certa duas vezes por dia.
Diga como se tivesse acabado de chegar a essa conclusão. Você vai soar como alguém inteligente e espirituoso. Alguns podem até achar que você é uma pessoa profunda, se não repararem que apenas disse uma grande besteira.
Extensões que uso (II)

Da série:
- Extensões que uso (I)
- Extensões que uso (II)
Extensões assaz aprazíveis para o Firefox na segunda parte do Extensões que uso:
- EditCSS: Ele abre uma sidebar com o código CSS da página para edição. E o resultado pode ser visto na hora. Muito melhor que o Alt+Tab frenético na hora de resolver aquele bug incorrigível.
Para ficar perfeito só falta syntax highlighting, code hint, snippets e auto-identação, mas aí seria pedir demais. - Extension Developer: Uma extensão para o desenvolvimento de extensões(!). Estive estudando o tema e encontrei ela, como ainda tenho planos de escrever alguma coisa para o Firefox a mantenho instalada. É uma verdadeira IDE, parece ser muito boa.
- FEBE: Para quem tem 22 extensões instaladas seria um martírio instalar uma a uma a cada formatação do computador, e em cada estação de trabalho. O FEBE faz um backup de todas as preferências e extensões do Firefox. Há até uma opção de agendar backups.
No caso de você estar se perguntando: sim, ele faz backup dele mesmo. - Firebug: Uma suíte de edição para XHTML, CSS e Javascript. Muito prática para debugar.
- Foxmarks Bookmark Synchronizer: Pude esquecer o que é fazer backup de favoritos ou adicionar um site numa máquina e precisar do enderço em outra e não ter. Essa extensão sincroniza os bookmarks com um servidor e torna todo o processo transparente.
Na próxima parte o post é temático, extensões para usar com serviços do Google.
Cubo de Rubik e o emburrecimento das pessoas
No verão passado eu me interessei por um cubo de Rubik (também conhecido por cubo mágico), que estava jogado no armário há muito tempo. Talvez você não imagine, mas há muita matemática e lógica por trás desse brinquedo. Existem, inclusive, cubos diferentes do modelo 3X3, com o qual estamos acostumados. São os de 2X2, 5X5, em pirâmide, esférico(!), enfim, para todos os gostos.
Como eu não vejo graça em ficar na tentativa e erro até acertar, fui estudar os métodos de resolução. Há uma grande variedade deles, uns são feitos visando velocidade, outros para quem não quer decorar nenhuma seqüência de movimentos, e ainda aqueles voltados aos iniciantes, que não se encomodam em simplesmente seguir um algoritmo escrito por outra pessoa. Como toda geekisse tem limite, escolhi o método da cruz, ele é muito simples, qualquer um com um pouco de paciência é capaz de resolver o cubo em poucas horas, seguindo-o.
Se você é realmente preguiçoso e está a fim de montar aquele cubo que você embaralhou e nunca mais conseguiu voltar, mas não está a fim de entender algoritmo nenhum, entre nesse site e replique o estado do seu brinquedo, ele gera um passo a passo da solução. Caso nem assim você consiga, desista e jogue o cubo fora, você nunca irá montá-lo.
Voltando à história, depois de uns dias brincando, conseguia fechar um jogo em cerca de dez minutos. Não é muito impressionante, eu sei, mas não me dediquei muito. Ao contrário desse pessoal que encontrei no You Tube, eles levam o cubo de Rubik à sério, uns resolvem rápido, outros com uma mão só, com os olhos vendados, com os ohos vendados, mas um cubo de 5X5 (esse cara é um herói), fazendo sexo (sem link para esse, estou blefando), existe até vídeo de resolução feita por robô e por uma criança de três anos. Reparou que a maior parte é japonês? Não sei o porquê disso.
Enfim, quando lançaram, ano passado, um brinquedo novo baseado no cubo de Rubik eu fui atrás de conhecer. Estou falando do Rubik’s Revolution:

Se o cubo de Rubik original já era legal, sua revolução deveria ser melhor ainda, certo? Errado. Esse brinquedo é um trambolho eletrônico e luminoso, não gira, como o original, com seis jogos, para jogar sozinho ou acompanhado. O problema é que os jogos são muito fracos.
Um deles é apertar o mais rápido possível o botão no centro da face que ficar acesa, um outro é descobrir uma seqüência certa de faces, na base da tentativa e erro. O jogo coletivo é apertar o botão na face iluminada e passar o cubo adiante, até ele apitar, então a pessoa que está com ele na mão nesse momento sai do jogo. Sim, isso mesmo, uma versão piorada de batata quente.
Sendo assim eu não posso deixar de pensar que estamos perdidos. Se a revolução de uma brincadeira inteligente e instigante é esse cubinho insosso estamos fadados à emburrecer. Luzes coloridas e sons robóticos só nos aproxima da idiocracia. Assim, daqui a pouco estaremos todos com Q.I. de um dígito.
Pode parecer exagero da minha parte, mas esse produto é sintomático. Tudo parece estar evoluindo para que os usuários precisem raciocinar cada vez menos. Uma coisa é deixar que uma agenda eletrônica decore números de telefone para você, outra é anestesiar o cérebro do consumidor para ele pense que não é mais preciso pensar.
Os efeitos disso são a horda de miguxos que invade a internet, as letras das músicas populares, as notas cadas vez mais baixas nos testes básicos de matemática e leitura e compreensão de texto, não faltam exemplos. Muitas vezes a culpada não é a falta de recursos, mas a preguiça, que é incentivada por iniciativas como a do Rubik’s Revolution. Até porque, convenhamos, um miserável não compra um brinquedo de cem reais, provavelmente ele está mais entretido procurando um jeito de não morrer de fome.
Ou será que eu interpretei a relação causa e efeito no sentido inverso? Nesse caso, qual a razão da população estar cada vez mais ignorante?
Cover Flow
Conversa entre Leandro e uma neófita, algum tempo no passado:
- Mas esse Touch não é parecido com o Nano de segunda geração que você já tem?
- Não, o novo iPod Touch tem mais espaço de armazenamento, a capacidade de tocar vídeos, tela maior e sensível ao toque, suporte à navegação na internet via Wi-Fi. É quase um iPhone, só não faz ligação. Além do mais ele é lindo. E tem um novo sistema de busca de música, as capas dos discos vão passando como toque do dedo, é de impressionar as visitas, o nome é cover flow. E além disso…
Leandro é interrompido por um ataque de riso.
- O que tem de engraçado com o cover flow?
- É que parece couve-flor.
Extensões que uso (I)
Da série:
- Extensões que uso (I)
- Extensões que uso (II)
Por muito tempo usei o Internet Explorer. Admito, mesmo sabendo que isso poderá, e será, usado contra mim. Para amenizar a culpa, defendo-me dizendo que isso foi há muito tempo, na época em que todo mundo fazia isso. Depois que comecei a estudar mais sobre desenvolvimento para a internet, fiz o que todo mundo deveria fazer, prometi que nunca mais usaria ele.
Cumpro essa promessa, até hoje só abro para testes de compatibilidade, na verdade nem abro, só uso o engine, como você entenderá na quarta parte da série. Logo no começo o meu escolhido foi o Firefox, que estava ficando famoso naquela época. Ele me servia muito bem, todo cheio de funcionalidades e abas, o que na época era novidade.
O grande trunfo do Firefox são as extensões, pequenos programas escritos pela comunidade que se integram ao navegador para lhe dar novas funcionalidades. Mesmos assim um belo dia fui ser gauche na vida e o troquei pelo melhor navegador que ninguém usa (tm Meio Bit), o Opera.
O Opera é um software sensacional, aliás muitas extensões do Firefox copiam idéias implementadas nativamente nele. A navegação por abas surgiu nele, por exemplo. Há reclamações por parte de alguns de que ele é muito pesado, nunca tive problema parecido, ele até parecia mais leve que os outros. Apesar de não oferecer extensões, existe uma solução baseada em mini-aplicativos que apesar das críticas considero bem resolvida, são os Widgets. Enfim, tudo ia muito bem.
Até que resolvi usar o Google Docs e o Google Reader. Esse serviços não funcionavam no Opera na época em que os testei, talvez hoje funcionem. Não é culpa do Opera e sim do Google, é verdade, mas por conta disso voltei ao Firefox. Até hoje estou feliz com ele, esperando ansioso pela próxima versão, que promete recursos deveras interessantes.
Pois bem, passado esse breve histórico que serviu de introdução vamos iniciar a série. Como disse, o grande trufo do Firefox são as extensões. Eu gosto de ir atrás de novas e atualmente tenho 22 instaladas. Fiz, então, essa lista, quem sabe você encontra alguma que lhe interessa? Pode ficar tranqüilo, não tem nenhum Total Miguxeitor na lista.
- Adblock: Como o nome denuncia ela foi feita para bloquear anúncios. Isso gera alguma polêmica e faz com que alguns sites impeçam os usuários do Firefox navegar, como forma de protesto. Só vi um desses até hoje, é uma atitude suicida, além de que, se o site trata os visitantes dessa forma, acredite, seu conteúdo não vale a pena mesmo.
Na verdade eu instalei essa extensão por outro motivo. Algumas fotos do Flickr têm uma imagem transparente em cima. O que acontece, então, é o usuário pensar estar salvando a foto e na verdade é um gif de um pixel, transparente. Descobri isso quando estava salvando uma série de fotos para um trabalho. Dei conta quando baixava a última foto. Lógico.
Enfim, a solução foi colocar essa imagem na lista-negra do Adblock, assim o navegador não carrega ela, e eu posso ter a foto que quero. Não, não foi idéia minha, não sou tão malandro assim. - All-in-One Gestures: Essa é uma cópia de uma funcionalidade muito legal do Opera, os Mouse Gestures. Ela atribui funções à alguns movimentos do mouse. Por exemplo, para ir para a página anterior no histórico, em vez de deslocar o cursor até o botão que fica lá em cima no navegador, basta segurar o botão direito do mouse e arrastá-lo para a esquerda.
Só sinto falta de uma forma exportar e importar as preferências, porque ficar customizando a cada instalação é meio chato. Ou falta eu aprender como faz, vai saber. - ColorZilla: Um conta-gotas que mostra a cor do que está sobre ele. Muito eficiente, mas se o objetivo for mapear todas as cores usadas no site, há uma solução melhor, chego nela no último post da série.
- CSSViewer: Um prático visualizador das propriedades CSS de um elemento. Também não tem a pretensão de ser a solução de todos os problemas, mas é um quebra-galho e tanto.
- DOM Inspector: Esse não tem link porque é uma opção na instalação do Firefox, o que revela o caráter meio geek desse navegador. Ele mostra a árvore DOM da página, perfeito para as horas de escrever Javascript.
Ainda é só o começo, tem muita coisa legal na continuação.
Vestibular
Quem me conhece sabe que passei o ano passado concentrado no vestibular. Com isso não só estudei as matérias que são pedidas, mas passei a conhecer a natureza desse teste. Hoje acabei a última prova, da última universidade que tentei. Terminada a maratona, agora é hora de refletir sobre tudo que passei.
Para começar, esse rito de passagem é muito criticado, acusam de ser um método injusto, discriminatório. Eu não poderia discordar mais. Talvez pudesse haver uma forma mais sofisticada de avaliar os alunos, de repente entrevistando-os um a um, por exemplo. Mas essas práticas demandariam tempo e investimentos absurdos, que tornam toda a operação inviável. O vestibular é o melhor jeito de escolher os candidatos que estão aptos à entrar na universidade.
Fato é que o vestibular é uma prova meritocrática. O estudante deve ser bom o suficiente para merecer uma vaga, simples assim. Não apenas bom no sentido de conhecer os conteúdos pedidos, mas também de saber gerenciar o tempo, ser maduro, crítico, até mesmo pontual, para chegar no local de prova no horário. Por isso não tenho dó dos candidatos que chegam um minuto depois dos portões fecharem, eles ficam com cara de mamão numa reportagem que todo ano se repete, e eu acho graça.
Idéias como a avaliação do histórico escolar são problemáticas porque falham em apontar quem é melhor aluno. É notório que são as piores escolas que dão as melhores notas. Políticas de ações afirmativas e cotas são igualmente deturbações de avaliação. Se o Estado se preocupasse realmente com a educação dos favorecidos por esses programas investiria em educação básica, em vez de remendar o estrago num estágio avançado da vida acadêmica do estudante. Um caso clássico de foco no problema, não na solução. No fim a situação é maquiada e, já que parece solucionada, estende-se indefinidamente. Infelizmente parece atitude para conquistar votos no grande celeiro eleitoral que as classes baixas se tornaram.
Essa sucessão de eventos forma o curioso cenário atual. Há uma completa inversão do que deveria ser ensino público e privado. Os estudantes do ensino médio de escolas privadas querem ir para as universidades federais e estuduais porque elas têm maior prestígio. Para os outros as chances de ingressar nessas instituições são menores, então por falta de opção acabam pagando pelo ensino superior.
Não há uma solução única e definitiva para o problema. Ele é muito mais complexo que pode parecer, não basta o óbvio: investir no ensino fundamental e médio. Mas se há uma certeza é de que mudar o sistema do vestibular não é uma alternativa.